Fins de tarde com a Antropologia e outras conversas


Lisboa, Auditório Afonso de Barros do ISCTE-IUL - 5 de março - 18h00

«Fins de tarde com a Antropologia. Conversas sobre arquivos etnográficos.», com Filipe Reis (CRIA-IUL) e Catarina Alves Costa (CRIA-FCSH/NOVA)

- «Entre notas de campo, cassetes e outros objetos: localizando o terreno através da incessante (e caótica) acumulação de materiais», por Filipe Reis (CRIA-IUL)

- «Cassetes, discos e cadernos: a submissão à montagem em filme etnográfico», por Catarina Alves Costa (CRIA-FCSH/NOVA)

Apresentação

As etnografias são registadas de várias formas e são várias as maneiras como os registos são guardados. Não raras vezes, os antropólogos refletem sobre os seus arquivos mais ou menos organizados, mas raramente tornam públicas essas reflexões. Por seu lado, a produção antropológica não espelha o método como seria desejado, sobretudo por outras ciências que cada vez mais utilizam a etnografia. Pouco sabemos igualmente sobre o que pretendem os antropólogos fazer aos seus diários de campo, às suas imagens, aos seus registos áudio.

Os encontros de fim de tarde com a Antropologia irão trazer mensalmente um par de antropólogos que farão a partilha de reflexões sobre os seus registos. Os antropólogos elegem para as suas etnografias diferentes técnicas que se tornam centrais ou acessórias, mas certamente com papéis diferentes no processo de interpretação posterior. Diário de campo nas suas várias valências, fotografia, filme, desenho, mapas, registos áudios diversos têm certamente papéis diferentes no processo de interpretação posterior. E como têm sido guardados os seus dados?

Com o objetivo de fornecer formação técnica através de alguma informalidade (a ideia de conversa assim o aspira), dois convidados de cada vez permitirão um registo de conversa enquanto se cumpre o objetivo exposto. Abertos à comunidade académica, estes encontros visam além disso trazer, num momento em que a etnografia se está a democratizar nas ciências sociais, pontos de vista de quem se dedica de modo prolongado ao método etnográfico.

Algumas hipóteses de trabalho balizam estes encontros. Retomando as propostas de um painel organizado em 1985 por Roger Sanjek sobre diários de campo, quem acede ao diário de campo? Como se lida com os dados etnográficos quando mais investigadores trabalham na mesma área? Que usos se podem fazer do diário de campo? Além disso, como se faz com os outros registos? A fotografia e o filme, por exemplo. Que papel desempenham no terreno e no momento de análise? Ao mesmo tempo, estas questões reenviam-nos para os recentes debates sobre mutualidade. Em vários momentos da sua vida, da produção ao arquivo, passando pela interpretação, os registos etnográficos contribuem para a percepção da co-responsabilidade no terreno. Qual o papel dos vários tipos de registo etnográficos na interminável tarefa, parafraseando Pina Cabral, da antropologia e respetivo movimento de des-etnocentrismo?

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